*.::::Nina Botelho:::.*

07/11/2004 22:09





No momento que estamos vivendo a agitação parece ter tomado conta de tudo. Temos pressa para chegar nem sabemos onde, não podemos perder tempo, temos que estar sempre correndo, não conseguimos permanecer em silêncio, a vida parece um rodamoinho de acontecimentos que se sucedem infinitamente a nos levar para...onde?
Se temos tanto que correr e fazer, não podemos mais parar para ouvir as pessoas, o canto dos pássaros, o riso das crianças e, pior ainda, não ouvimos mais nós mesmos, tentamos abafar a voz que vem de dentro do nosso coração nos dizendo, quase sempre, em que acreditar, que caminho seguir.
As músicas, muitas vezes ruídos estranhos a nos perturbar a paz de espírito, soam cada vez mais alto, cada vez mais atordoante como a nos tirar de uma realidade dolorida e a nos remeter para um outro ponto no espaço onde tudo se transforma e se deforma. Claro que ainda ouvimos a música, realmente, melodias que sentimos com o mais profundo do nosso ser muito mais do que ouvimos com nossa parca audição.
Alguns de nós ainda param para refletir sobre a vida, para apreciar a beleza de um sol nascente ou poente, o brilho da lua e das estrelas, o som dos pássaros, a amizade dos cães, o chamego dos gatos, enfim, a simplicidade capaz de nos fazer felizes.
Já é tempo de nos concentrarmos um pouco mais nas coisas realmente importantes na vida: a amizade, o amor, o carinho, os momentos de pura alegria ao lado das crianças inocentes. Valorizar a simplicidade, o sentimento, o imaterial que nos faz alçar vôos cada vez mais altos, a essência da felicidade, o bem em si.
Para isto, entretanto, é preciso parar, esvaziar nosso interior, saber ouvir o som do silêncio, abrir o coração para o novo. Quando apreendemos a ouvir, muito mais do que escutar, passaremos a compreender muito mais significados que hoje nos passam despercebidos. Isto vale a pena.



enviada por Nina Botelho






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